Ora, mas eu corro de quem sou! Ou mudo quem sou, ou paro de correr! Tanta corrida me cansa!
Sabe, isso realmente é o mais difícil de tudo. Falar "eu sou isso" e fim dos problemas. Chatão.
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Olha, hoje eu acordei e fiquei revoltado com a minha mãe, por mais uma vez usar de ameaças para conseguir o que ela quer. A psicose dela é demais para ela entender qualquer coisa, e se eu não escrevi uma carta pra ela pra explicar tudo isso no ápice da minha revolta, não é agora, calmo, com sono, cansado e armado de um violão que eu vou fazer isso. Acho que nunca vou fazer isso, o que é bom, pra todo mundo.
Outra coisa que parece que eu nunca vou fazer é escrever algo que me agrade. Tudo que eu escrevo me parece completamente chato e se eu salvo alguma coisa é por desencargo de consciência, porque pouca qualidade vejo lá. Mas de auto-crítica já chega! Eu tenho mais o que fazer, tipo outras muitas coisas que parece que eu nunca vou fazer também. Tipo trocar cordas do violão. Desculpa, mas não tem como. Tocar com essa "si" é muito legal, e a Sits Calmly fica mais fantasmagórica ainda uma quinta acima. Coisa muito legal mesmo. Eu só preciso aprender o nome das escalas que eu uso, pra que serve cada uma, como improvisar com elas e tudo mais. Mas isso é das resoluções do ano, com certeza serão feitas. Coisa muito legal.
Fora isso, o resto do dia foi algo que eu achei que nunca fosse fazer, mas fiz. Saí de casa. Não que eu tenha feito muita coisa, visitado muitos lugares novos, tido experiências revolucionárias, mas saí de casa. Fui no shopping, andei, mais nada, mas com certeza bem acompanhado e de forma a passar tempo com quem se gosta. Acho que é isso que importa, né? Ainda assombrado por um Wii e por muitos, mas muitos jogos de ds naquela maldita loja, cheia de coisas relativamente baratas e legais, mas fui forte, com a ajuda da Carol, e não comprei nada. Se eu não conseguir um Wii com a minha tia vai ser difícil me conter muito mais. Mas como eu disse, isso é só um objeto, menos importante que a maioria das coisas.
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Sinto-me privilegiado de poder ver as cores. A cidade, que tão freqüentemente é sinônimo de cinza e de morto certas vezes tem suas cores muito bonitas. Não me refiro ao carnaval, nem ao réveillon, ou qualquer outra comemoração festiva que leva as pessoas a colorirem as cidades ou os céus de qualquer forma. Simplesmente, de vez em quando, aparecem umas cores que a gente hesita em notar. Fato é que elas estão lá todos os dias, e você passa por elas sempre. Seja voltando do trabalho, do colégio, de carro ou de ônibus. Na verdade, pouco importa onde você mora ou por onde você passe, embora alguns lugares sejam mais propensos às belas e raras cores de uma cidade. Mas às vezes, aquelas luzes, todas amarelas, aparecem por entre as árvores, todas verdes e criam, à noite, uma imagem digna se admiração. É, você vê isso todo dia. Passa ali do lado da Lagoa, ou na Orozimbo Maia, na Avenida Paulista ou no calçadão carioca. Não importa, elas estão lá todos os dias. Aquelas luzes brilham amarelas por trás dos verdes todos os dias, e a gente esquecer de olhar, de perceber beleza nas coisas. O mundo não é triste, nem as cidades cinzas e mortas: é tudo uma questão que nem a teoria da relatividade de Einstein consegue pôr em palavras. Ou números.
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