terça-feira, fevereiro 27, 2007

playing a lion being led to a cage i turn from surreal to seclusion

Foram 69 posts e eu nem comentei sobre isso. Deve ter algo a ver com o fato de eu não ter 12 anos.

Se eu fosse um cineasta, eu nunca faria um filme normal, bobinho, adolescente. Faria um filme doente e difícil de entender. Faria, no mínimo, um filme que no fim sua mente entorta, e você tenta entender como isso aconteceu. Filmes com volta no tempo, com segundas personalidades que você só percebe no fim. Filmes que você não entende, na verdade, mas que todo mundo diz que entende, não para não parecer burro, mas porque dizer que entende o faz parecer inteligente. É um efeito diferente. É fácil, na verdade, fingir que entende, já que ninguém vai dizer "mentira, é muito difícil, você não entendeu", seja por educação, ou para fingir ele mesmo que entendeu. Se você se deparar com um amigo que não é nem educado e nem quer fingir que entendeu, você tem uma pérola nas mãos. Mas como ele é mal-educado, poucas as chances de ele ser um grande amigo.
O mais engraçado nesse efeito todo, é que ninguém pensa que estão todos fazendo isso, e que ninguém entendeu mesmo. Ninguém pensa "eu não sou o único burro do mundo" ou até mesmo "eu não sou burro, é difícil mesmo". O segredo, para os cineastas, é fazer filmes que ninguém mesmo entendeu, porque simplesmente, não pode ser entendido. Não há o que se entender, é algo completamente alheio a sentido. Mas esse efeito se espalha, inclusive entre os membros da Academia, e filmes impossíveis de se entender ganham Oscars. É assim que o mundo é e é assim que deve ser. Muito bem.

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