sábado, março 31, 2007

god only knows that's not what would choose to do

Ah, que dia de vitórias! Há os dias simplesmentes bons e os dias em que você faz tudo que precisa, mas há também os dias de vitórias.
É comum encontrar pelas ruas, no shopping, em algum restaurante, em qualquer lugar que você vá alguma pessoa que você conheça de vista. Você nunca conversou com aquela pessoa, mas sabe bem quem é. Os olhares se cruzam, vocês se olham, mas fogem quando há o contato. Antes que o outro possa afirmar que lhe conhece, você vira e olha para o outro lado, como se não tivesse visto nada. O ponto de ônibus é propício e especialmente desagradável nessas situações, porque você tem muito tempo até o ônibus chegar, seja o seu ou o da outra pessoa, para que acabe essa farsa de que não se conhecem. Fiquei parado, olhando para o outro lado, juntando coragem e ensaiando como diria sem parecer estranho. "Acho besteira as pessoas não falarem umas com as outras" pareceu muito forçado e longo, muita chance de engasgar e perder tudo. "Acho besteira as pessoas não se falarem" foi curto o suficiente e deu certo. Venci uma insegurança, uma situação constrangedora em que normalmente eu não diria nada e esperaria passar. Diria "da próxima vez eu venço essa". Não houve próxima vez, venci ali mesmo. O sentimento de vencer uma situação dessa não tem igual. Mas não é isso que constitui um dia de vencer desafios. A insegurança continuou sendo detonada à noite.
Nem quando eu era criança, muito menos sendo relativamente mais velho eu me sentia confortável com situações em que a atenção de todos era minha. Pouco demorou até o palhaço da festinha vir e tirar meu tênis. Imaginei que eu teria que ir lá no meio fazer alguma coisa depois e aí estaria nessa situação, no meio da roda, com todos me olhando. Não foi o caso dessa vez, mas pouco depois, em uma outra brincadeira ele me chamou para ir ao meio, de verdade agora. A princípio me veio o medo, a insegurança, mas depois pensei no que o dia tinha representado e que eu era velho demais para medos bobos. Fui ao meio da roda, fiz a brincadeira com o palhaço e caí na frente de todo mundo e deitei no colo de um estranho. Tudo deu certo. Ninguém morreu, nem ficou envergonhado e a insegurança foi sendo substituída por um sentimento de se sentir bem.
Ufa!

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