domingo, março 18, 2007

reading lines never read

Eu me sinto menos Homo sapiens, às vezes. É uma coisa engraçada, a raiva, o ódio, a impaciência. Como a gente às vezes simplesmente perde o controle, deixa algo bobo nos irritar, perde a noção do que é certo e melhor fazer, e explode, deixa uma sensação de insatisfação tomar conta. A revolta e a raiva, tão intrínsecas, possuem efeitos tão distintos. As revoltas geraram maravilhas para a humanidade. Libertação de escravos, independência de nações e revoluções de liberdade, igualdade e fraternidade. A raiva leva à assassinatos, crimes passionais, todos os dias, como o que aconteceu nesse momento. O homem cuja mulher lhe foi infiel. Aquele cujo vizinho deixou o lixo espalhado lá, mais um pouco. Vingança, revanche.
Talvez pior, talvez não, a raiva oras nos faz perder noção do que os outros sentem, nos faz segurar alguém pelos braços e dizer-lhe que seus sentimentos não são válidos, são errados. Ela nos manda sacudir, manda mudar, manda punir e fazer justiça com as próprias mãos, justiça por algo que não nos agrada. A raiva nos muda por alguns instantes. Que sejam só esses instantes.
Ou será a revolta? Sapiens.

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