segunda-feira, março 05, 2007

through nature's inflexible grace i'm learning to live

Hoje eu deitei sobre um bloco de concreto e a conversa do resto do mundo me afundou. As nuvens apareceram no céu, e foi como se eu nunca tivesse visto uma nuvem na vida. Elas se moviam e eu não sabia dizer se era a Terra se movimentando, elas deslizando ou ambos ao mesmo tempo. Elas se juntavam, brancas, cinzas, em um céu tão puro, tão azul, tão unicamente azul. Eu via aquelas formas misteriosas no céu, que não significavam nada, mas ao mesmo tempo punham tudo em perspectiva. Fato é que para as nuvens, os meus problemas são ínfimos, não significam nada. Os problemas de todo mundo juntos não são nada. Para ela, somos nada, minúsculos pontos na superfície, lá embaixo. Ainda assim, para nós, elas são enormes, são gigantescas, e podem arruinar como melhorar um dia, simplesmente estando ou não lá. Estamos à mesma distância, mas nós não somos nem perto de tão interessante para elas como elas são para nós. Deitei a observar as formas se mexerem, se juntarem, sobreporem. Foi um sentimento magnífico, e naquele momento, como nesse, eu daria tudo para ser uma nuvem, gigante e passiva, ociosa e importante, presente e flutuante.
Quero flutuar e tudo ver, e nada saber. Quero chover, ser nuvem.

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