segunda-feira, abril 09, 2007

sergeant pepper's one and only lonely hearts club band

Vim pensando no ônibus em alguma idéia brilhante, alguma teoria das minhas, fanáticas e fantásticas, mergulhadas no ego de uma criação, de uma idéia que é boa, que é nova, que parece fresca e sem precedentes. Não é, mas parece. Já foi pensada, por muitos antes, mas soa jovem e nova, talvez por ser inédita dentro do conjunto das minhas idéias. Inclusive essa idéia, de coisa que já foi pensada, idéia já consumada, criação já criada por outros antes, isso também já pensei, eu mesmo e escrevi em outra forma e está lá longe nos arquivos.
Agora sento aqui, 22 ou 24 minutos atrasados para meu suposto compromisso com o sono e tento lembrar a idéia do ônibus, idéia genial, no mínimo bacana, interessante, digna de ser escrita, contada, mesmo que para leitor algum. Começo, portanto, uma nova corrente de idéias, já consumadas, mas aparentemente geniais e as transformo em palavras, digito uma a uma e apago três a três, reescrevo o que minha mente pensa. Penso em como melhor dizer o que pensei, sendo esse já novo pensamento. Penso que não passei a idéia que queria, já outro pensamento. Pensamento rápido, rapidamente consumado, macarrão instantâneo da mente, tentando impressionar pela complexidade de suas recursões, suas voltas e revoltas. Pensamento leviano ou pensamento pesado, vêm todos os tipos e não escolhemos, como a nossa própria família. Os pensamentos e seus fins intercalados e interconectados. Penso em mim e penso em ti. Na primeira e na segunda pessoa.
E não é que eu consegui escrever um post todo sem lembrar o que eu pensei no ônibus?

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