Eu tenho um preconceito com cinema brasileiro. O problema com esse preconceito é que não é algo que às minhas visitas ao cinema brasileiro provem que eu esteja errado. Nada me mostra isso, pelo contrário, só confirmam meus preceitos. Na verdade, só o chamo de preconceito porque é algo que eu tenho em mente antes de assistir ao filme, já que não é uma idéia errada.
Sinto que a televisão brasileira em geral falta bons atores, falta daqueles que consigam vender seu peixe e nos fazer acreditar que são mesmo os personagens que interpretam. Lembro-me de quando eu era pequeno e via os atores em entrevistas se referindo aos seus papéis na terceira pessoa, e eu nunca entendi, porque não diziam que eles mesmo eram aquelas coisas. Para mim, o ator era o personagem, e ele tinha que se sentir tanto no personagem quanto eu acreditava nisso. Não sinto isso com os atores brasileiros. Quanto tentam fazer um drama, faltam-nos bons atores, que nos convinçam dos sentimentos que os personagens sentem. Acabamos sendo forçados a um mercado de filmes violentos e fortes, cheias de imagens que constituem filmes polêmicos, cheios de valor cultural, já que representam a nossa sociedade. Acabamos com filmes cheios de cenas de nudez, violência, crime, corrupção. Nesses, poucos bons atores e roteiristas contam histórias que mostram de fato, um lado do nosso país, mas que, por outro lado, perpetuam o nosso tão temido estereótipo, de país de mulher bonita, futebol e carnaval, país de violência e crime.
As nossas tentativas na comédia, quanto ao cinema, estão repletos de roteiros manjados, salvas raras exceções. Quanto à televisão, estamos lotados de tristes tentativas de comédia americana, de Saturday Night Live, com quadros repetidos à exaustão e risadas que excedem o quão forçadas são as americanas.
Em uma das nossas maiores tentativas de mostrar nosso valor cultural, acabamos por mostrar o que tememos e copiar o que não somos.
Vejo um grande futuro a Rodrigo Santoro.
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