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Não só os paranóicos, loucos e doentes têm a minha compreensão. Revoltados, revolucionários e instigadores de caos e mudança também.
O conflito faz parte do ser humano. Nós estamos sempre batendo de cara a cara com algo ou alguém, qualquer coisa que se oponha aos nossos desejos, às nossas metas. Eu sempre gostei de pensar de que o segredo era contornar os muros e continuar andando. Mas não há um sentimento de imparcialidade, de querer olhar tudo com olhos neutros, de resoluções pacíficas que sobreviva à injustiça quando ela ocorre com você.
O conflito, parte de todo dia, de toda vida vai ocorrer de qualquer forma. Mas é uma coisa quando estamos nessa causa por puro interesse, simplesmente porque se opõe a algo que queremos e nos contrapomos, sem fortes e reais sapatos, contra a parede, só pelo mínimo incômodo que nos causa. Outra coisa é quando a parede cresce e se multiplica, sem razão e ouvidos à nossa causa, em um momento em que seus sapatos fortes só nos seguravam calmamente em pé.
A injustiça acontece vezes demais para que possamos distingui-la da justiça, ou para que possamos nos levantar e pensar sobre impedi-la. O segredo é ainda contorna-la, essa coisa sem forma que se opõe a nós, sem nem que tenhamos nos oposto a ela. Só fica mais difícil de contornar.
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Você já sentiu que as pessoas já não se gostam mais tanto?
Ultimamente tenho tido a sutil impressão de que as coisas estão mudando, de que as pessoas já não se gostam mais tanto. Éramos um grupo de amigos inseparável, e quando um fazia alguma coisa, todos fazíamos juntos. E todas as pessoas que não eram tão seus amigos assim? Passava e as cumprimentava alegremente, sempre com uma piadinha e um sorriso genuíno. Hoje, os fantasmas que aparecem são os mesmos amigos de antes, só que não inspiram piadinhas nem sorrisos, muito menos genuínos. "O que está fazendo da vida?". Sinto-me mais incomodado a cada vez que faço essa pergunta. Essas pessoas eram grandes amigas! E as que não eram, recebiam cumprimentos e acenos, piadinhas e sorrisos. Hoje, recebem uma pergunta padrão como forma de demonstrar algum interesse; um ritual quase sem sentido algum. Talvez seja a loucura instigando caos e revoluções mentais, talvez seja uma escola que promove uma hierarquia da saudade e da nostalgia, conforme vemos geração após geração sair e pertecerem a outras gerações. Mas eu sinto que hoje, não se gostam mais tanto, as pessoas. Não só, sinto que o mundo não é tão bom quanto era a três anos, e que nenhum calouro vai aproveitar tanto, gostar tanto e ter boas memórias da mesma intensidade. Mas acho que todo mundo tem essa impressão. Citando déspotas modernos, toda geração deve ter pensado "pior que está não fica; é o fim do mundo". 2012 dirá.
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