É verdade. É uma grande verdade. Estou mais certo disso do que de que somos feitos de células e átomos. A verdade é que não damos valor às coisas. Pegamos tudo e achamos que nos foi dado de mão beijada e não pensamos no valor que as coisas nos têm, simplesmente em existindo. Eu não trabalhei para comprar a maioria das coisas que mais importam pra mim. Não me custaram nada, não foram fruto do meu esforço e talento. Foram me dados como se eu simplesmente merecesse e assim mesmo, por motivo nenhum, eu me apeguei e preciso dessas coisas para viver bem, como se fossem, sim, frutos de algo muito preciso que eu dei em troca.
Mas essas coisas podem um dia nos ser tiradas, e só então vemos como as coisas nos eram importantes. A gente pensa tanto em como as nossas coisas são ruins, ou poderiam ser melhores, mas quando elas se vão, só pensamos em como elas eram boas. Isso se aplica a tudo na vida, só pensamos naquilo que tínhamos quando a perdemos - enquanto isso, ela fica lá, e a gente não nota. A humanidade toda age dessa forma. Só damos valores aos artistas depois que morrem. Muitos vivem na pobreza e no anonimato a vida toda, para serem aclamados gênios quando morrem. Então pagamos milhões por coisas que nunca foram fantásticas. Coisas que não eram nada demais, não eram, aliás, boas o suficiente. Mas agora, nunca haverá outro como esse, então ficou muito valioso. E não há um crítico e fã que não daria quase todas as suas coisas não apreciadas para que os grandes gênios do mundo voltassem para produzir mais um disco, mais um livro - um acorde, uma palavra.
Agora é tarde, as coisas não voltam mais, não há mais um acorde, uma palavra, uma pincelada, um abraço.
Não, ainda dá tempo!
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