segunda-feira, fevereiro 12, 2007

don't tell me what's in

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Eu sempre entro na página do blog pensando como essa porcaria de Google nunca salva. O gmail é só você conectar uma vez que ele nunca mais esquece de você, e todas as próximas vezes que qualquer um mexer aqui, ele cairá direto na sua caixa de entrada. Por outro lado, outras coisas do Google nunca lembram de você, como o Orkut ou o Blogger. Não entento isso. Mas eu só digo isso porque eu sempre penso nisso, mas acabo esquecendo de mencionar. Não que seja importante, mas você entendeu. Eu entendi.
Hoje o dia foi bom e o post um dos mais tardes da minha vida. Já escrevi posts no dia seguinte, mas dos posts que eu escrevo antes de dormir esse foi um dos mais tardes. Cheguei tarde em casa, e fiquei conversando com as pessoas horas. É realmente uma bênção quando você tem amigos que gostam de falar com você, e abrem janelas com você, e vêm te contar novidades e fazer perguntas, querem saber do seu dia ao passo que te falam dos delas. É uma bênção, de fato. Até me faz esquecer a depressão que as notas da Unicamp me causou, mas quer saber? É difícil mesmo. Eu sei que o ideal era eu passar em primeiro de primeira, ser cursinho nem estudar, ficar com fama de gênio que passa direto sem nunca pegar num livro, que reprova na escola e gabarita vestibular. Seria ideal. Mas não foi assim. Felizmente o bom-humor acaba nos provando que não passar não é o contrário de passar. Se eu passo de primeira e fico com fama de gênio por passar sem estudar não implica que se eu não passar eu sou um idiota. Por mais que o mau-humor me diga quão idiota eu sou.
Depressões desnecessárias e provadas infundadas à parte, o dia foi bom. Eu estava achando que seria ruim, depois das notas fiquei meio de bode, de fato. Mas o dia foi bom, bastante. Passei quase todo ele na companhia de uma pessoa ótima e divertida, cuja simplicidade de sua companhia compensa qualquer complexidade que a possa acompanhar. Vixi.
Não passei horas ao videogame, e acabei fazendo coisas as quais eu precisava fazer. Postei no fotolog, mais uma vez, venci a preguiça e inércia, e fiz um item da série que eu considerei um dos melhores. E até arranjei explicações pseudo-artísticas para mim mesmo para as coisas que eu faço. Estudei minha guitarrinha, sempre no último dia possível, quando não na madrugada do dia da aula, mas estudei. Tirei o maldito exercício, coisinha chata, mas é maravilhoso ver a palhetada melhorar. É um processo relativamente lento, mas com certeza visível. Às vezes me impressiono com o quanto eu venho melhorado. Às vezes não, mas às vezes sim.

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Sentei lá de novo. No mesmo lugar, do outro lado da rua do ponto de ônibus. Peguei mais sementinhas no chão e comecei a jogá-las, impulsionando com o polegar e o dedo médio. Os que batem na árvore entram na contagem; o resto, não. O dedo vai ficando meio marrom de terra e a contagem vai crescendo mais rápido do que a gente imagina. Dessa vez fui mais longe. Passei do "one thirty-five" até o que, se eu me lembro bem, e posso não me lembrar, era o "one sixty-three". Quando cheguei no "one thirty-five" eu parei um pouco. Levantei, fui até uma daquelas flores que dizem que se assoprarmos e todas as particulazinhas saírem voando, é boa sorte; não sei como se chamam. Fui pegá-lo para assoprar, mas ele só estava caído, ainda estava na terra. Não o arranquei, como não faço com nada, tentei reerguê-lo, meio que sem sucesso, e voltei para meu assento de cimento, mureta de condomínio. Peguei mais sementinhas, olhava a rua esperando o ônibus, para concluir uma grande coincidência, de ter chegado ao mesmo número duas vezes, sem que isso coincidisse de forma alguma, e desisti. Continuei jogando as sementinha e o ônibus logo chegou.
Agora me vem um insetinho, daqueles bichinhos pequenos que ficam na grama. Verdinhos e que pulam muito. Pousa no meu braço. Eu que não gosto muito de insetos penso "vou passar a noite toda com isso no meu quarto". Meu dedo chega perto e ele não se move, completamente alheio ao fato de que sua vida está a 3 milimetros do fim. Alheio mesmo; não sabe que eu não devo matá-lo, que isso me empobrece; é um animal, seu objetivo máximo é a sobrevivência. Não consigo. Não devo matá-lo. Fica, insetinho, passa a noite no quarto. Até deixo a luz acesa pra você.

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