domingo, fevereiro 18, 2007

i got this feeling

Eu nasci no Brasil. Nasci em Santa Catarina, lugar com ótima qualidade de vida. Cheio de imigrantes alemães, uma das melhores regiões do país. Vim para São Paulo, lugar com índices de criminalidade muito elevados, mas a região mais rica e semelhante ao primeiro mundo do país. Moro aqui, nessa casa, em Campinas, nesse bairro pequeno, perto de outros bairros, cheios de casas gigantescas e milionárias. Tive uma vida boa em colégio particular, cheio de colegas de sala riquinhos, que viviam uma vida de completamente livre de preocupações.
Eu nasci no Brasil. Eu falo português. Sou abençoado linguisticamente com uma língua rica e muito bonita. Uma língua cheia de poesia, cuja sonoridade é um convite ao canto e ao bom uso das palavras. Os recursos que o português nos dá, a capacidade dele de dizer coisas muito bonitas, é quase um desperdício não usá-la. E por mais instruído que sejamos, ainda a usaremos de forma errada. Uma língua tão bonita, que a gente esquece. A educação que nos é dada não serve nem para entender os jornais. Não há uma única pessoa que use a língua portuguesa segundo sua gramática normativa. E nem haverá, tão cedo.
Eu nasci no Brasil, terra infeccionada por uma corrupção política, que impede os avanços que teríamos potencial para fazer. Terra colonizada por bandeirantes cruéis, desbravadores sem consciência das conseqüência que derivaria de tal exploração desmedida.
Seja como for, eu nasci no Brasil. Terra de desigualdade sem igual. Mas há alguma coisa sobre esse chão, sobre essas árvores, essa língua, esse ar, esse céu que me dá sempre a esperança para acreditar nesse gigante adormecido, não?

Eu não me repito sempre:

Ouviram do Ipiranga as margens plácidas
De um povo heróico o brado retumbante,
E o sol da liberdade, em raios fúlgidos,
Brilhou no céu da pátria nesse instante.

Se o penhor dessa igualdade
Conseguimos conquistar com braço forte,
Em teu seio, ó liberdade,
Desafia o nosso peito a própria morte!

Ó pátria amada,
Idolatrada,
Salve! Salve!

Brasil, um sonho intenso, um raio vívido
De amor e de esperança à terra desce,
Se em teu formoso céu, risonho e límpido,
A imagem do cruzeiro resplandece.

Gigante pela própria natureza,
És belo, és forte, impávido colosso,
E o teu futuro espelha essa grandeza.

Terra adorada,
Entre outras mil,
És tu, Brasil,
Ó pátria amada!
Dos filhos deste solo és mãe gentil,
Pátria amada,
Brasil!

Deitado eternamente em berço esplêndido,
Ao som do mar e à luz do céu profundo,
Fulguras, ó Brasil, florão da América,
Iluminado ao sol do novo mundo!

Do que a terra mais garrida
Teus risonhos, lindos campos têm mais flores;
"Nossos bosques têm mais vida",
"Nossa vida" no teu seio "mais amores".

Ó pátria amada,
Idolatrada,
Salve! Salve!

Brasil, de amor eterno seja símbolo
O lábaro que ostentas estrelado,
E diga o verde-louro dessa flâmula
- Paz no futuro e glória no passado.

Mas, se ergues da justiça a clava forte,
Verás que um filho teu não foge à luta,
Nem teme, quem te adora, a própria morte.

Terra adorada
Entre outras mil,
És tu, Brasil,
Ó pátria amada!
Dos filhos deste solo és mãe gentil,
Pátria amada,
Brasil!

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