Hoje, depois do almoço, como sempre, minha mãe virou ali na rua das Orquídeas, para ver como estava a nossa nova casa. Ela acaba parando para ver o que foi feito desde a última vez que ela foi, e eu me surpreendo que ela acha coisas novas, sendo que ela vai todo dia. Seja como for, esse foi mais um dia em que eu não agüentei a espera e vim embora a pé, afinal, são apenas algumas quadras. Mas mal saí da rua e me deparei com um fato novo. Essa mancha aí. No lugar dessa mancha, havia um cimento cheio de pedrinhas todo grudado na rua. Estava lá há anos, caiu de um caminhão há muito tempo atrás, todo o cimento, e grudou na rua. Seja os novos inquilinos da casa da esquina que mandaram retirar, ou sei lá o que foi, mas tiraram. Passei e me deparei com essa mancha. Não fiquei contemplando muito na hora, mas me chocou de primeira. Às vezes as coisas estão sempre lá, e aí somem. Sem grande significado, sem insinuações ou comentários internos, nada, só isso mesmo. Geralmente, essas coisas que fazem parte da minha história pessoal de alguma forma, quando somem passam despercebidas. Mas essa, eu cruzei uma só vez, e notei na hora que não estava mais lá.
Quando minha mãe chegou em casa, falei pra ela disso e ela disse que nem lembrava direito desse negócio. Ela deve ter visto aquilo mais do que eu, como ela não lembra? Eu gosto de coisas pequenas e significativas, eu acabo fazendo de tudo que é pequeno e insignificante, muito significante. A escadinha da casa que minha mãe tampou outro dia me deixou de mau humor. A gente sentava ali, muitas vezes, com os cachorros. Tomávamos sorvete, sol ou cuba libre. Qualquer coisa, mas eu gostava da escadinha. Sumiu. Eu entendo que a casa vá ficar toda nova e diferente, com cara de casa de revista, mas eu gostava daquilo, sou tradicional.
De qualquer forma, quando eu disse à minha mãe que ia lá tirar uma foto, ela riu. Passei o resto da tarde com outras coisas, mas no fim relembrei do meu compromisso. De alguma forma, tinha que ser hoje, no dia da descoberta. Peguei a câmera e voltei lá. Minha mãe riu mais um pouco. Fui lá e tirei as fotos. Várias delas. Testei vários flashes e coisas diferentes, até sair uma foto decente. Consegui poucas boas, quase todas tremidas, e todas gigantescas. No canto até apareceu uma graminha, exemplo bom do porquê eu pedi para ficar longe do que é longe disso. Independente disso tudo, tirei a foto, e aí está. Pedaço da minha vida, não mais lá. Não fiquei triste, de verdade, me dá até aquele sorrisinho de coisa passageira. Vou sentir sua falta com um sorriso saudoso, sem tristeza, pedaço de cimento com pedrinhas grudadas na esquina da rua Girassol com a rua das Orquídeas.
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Hoje é um dia diferente, de fato. Voltei a postar no fotolog, desde ontem, aliás. Continuando a série Metropolis. Eu já tenho muitos projetos para essa série e para as próximas, mas estou mantendo o suspense, para mim mesmo.
Fiquei em segundo no Palavras Cruzadas multi-línguas, valendo tudo quando é língua, de novo. Na verdade, da outra vez era só inglês, e fiquei em segundo, perdendo para o Jürgen; dessa vez valia tudo, e perdi para a minha mãe. Acabei usando só português e inglês, com uma palavrinha de francês: des. Minha mãe arriscou um "voy" do espanhol e o Jürgen aproveitou-se do alemão, mais de uma vez. Fora isso, ficou todo mundo no inglês/português mesmo. Ou inglês/alemão para o Jürgen.
Morri de rir com a Anninha falando que queria "sair para dançar" hoje, mas acabamos sem fazer nada.
Amanhã vou tentar tirar umas fotos melhores da casa em si, mais claras, mas a caçamba na frente arruina qualquer paisagem. Ou cria outro efeito. Não, arruina mesmo.
Andei pensando sobre como a nossa existência é mesmo passageira. Se existem outras realidades, com outros de mim e outros de você, nós, individualmente temos pouca importância. Vou guardar esse pensamento.
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