quarta-feira, março 14, 2007

cause even when i danced with life no one was there to share

As coisas vivem começando por aí. Novas temporadas, novas eras, novas coisas, em geral, estão sempre começando. Um dia, elas acabam. Poucas são as coisas que são eternas, e eu imagino como se sente o começo com as coisas eternas. O fim proporciona uma finalidade ao começo. Se os fins justificam os meios, justificam os começos também, e o começo sente que não começou em vão, que algo saiu, um produto desse tudo, começo, meio e final. Os finais nem sempre entendem porque são. Uns são súbitos e repentinos, às vezes meios que viram finais, sem nem saber daonde veio toda essa mudança. Ora são desgastados, aos poucos os meios viram finais, e culminam em um fim único e permanente, que pode ser como o meio já era. Outros são menos permanentes, mas não deixam de ser fins. Logo depois dele pode vir outros começos, como o primeiro, diferentes, de outras formas, que dão origens a meios sempre diferentes, e finais talvez semelhantes.
Os meios vivem de cachoeira, de montanha-russa. A constância só existe enquanto não se sabe o próximo momento. Só existe constância agora e antes, já que o próximo momento a cachoeira pode cair. Mesmo os mais constantes vivem na expectativa do próximo momento, querendo se conhecer ali na frente.
Os começos, no começo, nada sabem. Mal sabem como chegaram ali, porque existem, de forma semelhante aos finais. O começo é muitas vezes esperado, construído e por fim, se torna o fim de si mesmo, sem meio algum, estando em dois estágios da sua própria ignorância: não saber porque é começo e nem porque é fim. Mas o começo, quando se desenrola vira meio, que vira fim, e ele observa lá de trás, como um avô os seus netos brincando, e se satisfaz sabendo que serviu de algo, que sua existência deu frutos, sejam bons ou ruins.
Mas sempre existirão as coisas eternas. O começo existe, e o meio nunca deixa de existir, não se desgasta, não tende a zero, não termina nunca. Como a montanha-russa, ele nunca sabe que é eterno, e só é eterno agora, já que no instante seguinte pode deixar de ser, e virar fim. O começo olha, lá de trás, já nem enxerga mais a ponta final de seus meios, e fica sempre pensando se terá fim, afinal.
O fim é o começo é o fim.

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