quinta-feira, março 15, 2007

i'll never hurt you again

É impressionante como passa o tempo. Agora, mais do que nunca, mas sempre passou bem rápido.
Quando eu era um garotinho, eu via os meninos da oitava série, que desligavam meu gameboy enquanto eu jogava, só para serem maus, sem propósito algum. Pouco demorou e eu virei um deles, meninos da oitava série, que tinha seus amigos e suas conversas de meninos da oitava série, falando de sexo e drogas, como quem entende alguma coisa, porque tem pelinhos na perna. Jogávamos menos gameboy e não desligávamos os gameboys dos meninos da 5ª série. Aqueles de nós que tinham menos pelinhos na perna morriam de vergonha, porque eram diferentes, estavam um ano "atrasados" e acabávamos mentindo para os amigos e para nós mesmos, que estávamos no mesmo patamar. Mesmo grandes meninos de oitava séries que éramos, todos, independente de patamar, éramos só meninos de oitava série perto dos caras do colegial, muito mais velhos, que agora sim, entendem alguma coisa de sexo e drogas, já que uns praticam um, o outro ou ambos.
Pouco demora e a gente se torna meninos do colegial, primeiro, segundo, terceiro ano. Logo a gente está lá, no mesmo nível daqueles meninos que tinham horários de intervalo diferentes, um sinal que fazia outro barulho, estranho, no meio da nossa aula, e que entendiam bem mais que a gente. Logo a gente se depara com os meninões da faculdade, que têm sua vida traçada, seu destino lançado e o sucesso os esperando. São praticamente adultos, como seus pais, da mesma forma que a gente olhava para eles quando éramos garotinhos.
Ora, mas a gente também cresce, também passa na faculdade, e olha para trás, como eram meninos os meninos do colegial.
A gente cresce, estuda, trabalha, sempre olhando o próximo estágio, dos meninos da oitava série aos seus avós, sempre jogando nossos gameboys e sem entender nada de nada.

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