quarta-feira, março 21, 2007

there is no divide

Ah, sim, grande entidade mágica, chama-te coincidência, acaso ou divindade qualquer, obrigado. Além da grande sensação já descrita anteriormente dos dias simplesmente bons, há também aqueles dias em que a gente faz tudo o que deve. Consegui ficar na escola, sem precisar voltar pra casa, fiz tudo que devia ter feito, não briguei com ninguém, fiz minha janta, tudo bonitinho. É uma sensação de alívio e completeza. Não sei se é porque esses dias são muito, muito raros pra mim, mas eu sempre me sinto bem. Imagino que para as pessoas que sempre fazem tudo o que precisam no dia, isso seja normal, e o diferente é quando falta alguma coisa, aí fica o sentimento contrário, de insatisfação e incompleteza. Mas para mim, a insatisfação é devorada pela preguiça e esquecida, o que é um mau hábito, mas quando eu faço tudo, a sensação de satisfação é maximizada.
Sejamos sinceros. Eu nunca, nunca vou fazer tudo o que eu preciso em um dia, até essa noção vai ser engolida pela preguiça e pelos programas de TV, mas hoje foi sim, um dia excepcionalmente completo. Hoje durante algum exercício de matemática, à tarde, o John Lennon disse algo na minha orelha como "every single day of the year", algo lá no fim do Revolver. Got To Get You Into My Life. Seja como for, eu ouvi isso, rabisquei um "365" no livro e pensei que a gente tem pelo menos 365 chances por ano de fazer as coisas direito. Como a gente consegue não fazer direito?

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