sábado, abril 14, 2007

bred not, but born to love

Consegui, há umas duas semanas, o disco novo do Pain of Salvation, "Scarsick".
Quando você ouve o disco simplesmente, sem saber letras, sem saber conceitos, parece simplesmente um disco bem típico da banda. Riffs pesados, vocais variados, e na verdade, só uma coisa difere esse musicalmente dos outros: quase não há solos. A única música que tem um solo explícito, uma seção onde o cara pega a guitarra e toca algo independente é na faixa "Kingdom of Loss", o que me leva a uma outra questão. Qualquer um que conheça a banda relativamente bem ou que queira conhecer deve conhecer o disco "The Perfect Element Part I". Considerado a obra-prima da banda, ele ficou devendo uma continuação aos fãs, que esperavam com ansiedade a segunda parte do conceito trágico. Para os fãs menos sabidos, o novo disco é só mais um disco banda, mas o fato é que esse é a segunda perte do conceito, segundo o próprio Daniel Gildenlöw explica em um vídeo no youtube. Os mais interessados podem procurar e averiguar por si mesmos.
"Kingdom of Loss" apenas remete à musica "King of Loss" da primeira parte, e mesmo sabendo desse conceito é difícil saber que é realmente a segunda parte. Segundo Daniel, a segunda parte é o conceito do primeiro expandido, para um nível mais social, menos pessoal. É uma ligação difícil de enxergar, já que o primeiro trata de incesto e a segunda parte é um disco bravo, que briga com a sociedade, um pedaço por vez, cada coisa que irrita o vocalista e mentor da banda.
Na primeira faixa, faixa-título, critica a sociedade de modo geral, acusando-a de ser doentia, e de fazê-lo se sentir doente, e cada verso descompassado cheios de enjambements nos mostra exatamente como ele se sente. A segunda faixa "Spitfall" me arrepia toda vez que eu ouço ele dizendo como os rappers gângsters são ridículos e patéticos. Na próxima faixa, "Cribcaged", a vítima é o programa "Cribs" da MTV americana. O disco segue assim, raramente usando o pronome "eu", pondo mais a sociedade em evidência. A faixa "Disco Queen" parece fugir um pouco do padrão, criticando um tipo de pessoa contando uma história mais pessoal, e por mais que seja uma faixa que assuste os ouvintes de primeira viagem, é uma das melhores do disco. "Mrs. Modern Mother Mary" critica a religiosidade comprada e assim em diante. Por fim, a última faixa do disco corta o clima de pessimismo e apocalipse que todas as anteriores parecem demonstrar, e acaba com um clima de esperança, de crianças que se cobrem do frio e tudo mais.
No todo, o disco é muito bom, embora as letras bravas demais pareçam repetitivas. O disco não deve nada aos anteriores em termos de melodias, refrões memoráveis, riffs deliciosos e progressivos e a velha poesia típica da banda.

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