domingo, abril 15, 2007

save yourself

Sabe quando você vê na TV aquelas pessoas que morreram? Na própria ficção, as pessoas morrem, e é claro, toda uma trama mirabolante é criada para que a morte seja tola, importante e facilmente evitável. Aparece a família chorando, todos em luto e a gente é induzido a pensar em como as pessoas podiam ter impedido aquilo, tão facilmente. Nada disso precisava ter acontecido e tudo poderia estar bem. A vida perdida é um bem muito precioso e daria-se tudo para reconquistá-la.
Não necessariamente na TV, isso acontece na vida. Todos os dias pessoas morrem, e~mais cedo ou mais tarde, uma dessas será um ente querido. Nesses dias, daríamos tudo para tê-las de volta, devolver àquela pessoa a propriedade mágica que há dentro das pessoas enquanto elas vivem, e perdem quando morrem.
Seja ainda uma morte prematura, em vida, a simples perda da vitalidade, da vontade de viver, seja depressão, seja o que for, as pessoas morrem. A gente perde a propriedade e pára de viver.
Hoje me dei conta disso e me dei conta de que eu sou vivo, de que eu existo. Eu chuto uma pedra e ela vai para a frente. Se eu não existisse, a pedra teria ficado lá, naquele momento. Meus amigos teriam outro amigo, ou um amigo a menos. Minha casa teria menos móveis, o mundo seria diferente, mesmo que minimamente.
Eu tenho essa propriedade ainda, eu ainda estou vivo, tenho sentimentos e chuto pedras. Faço parte de um grupo e crio relacionamentos. Faço-as rir e chorar, estou aqui, vivo.
Vivamos, já que temos vida.

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